Semana ABC: bastidores e desafios na produção da Cerimônia de Abertura da Rio 2016

Por conta da limitação no orçamento, equipe de produção teve que buscar alternativas distintas para atender às expectativas da cerimônia

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Agosto de 2017 Edição do Mês

Da Redação


 

Para finalizar o primeiro dia da Semana ABC, o público presente pode acompanhar os bastidores da Cerimônia de Abertura do Jogos Olímpicos Rio-2016 com alguns dos profissionais presentes na produção do espetáculo. Estiveram presentes um dos diretores do evento, Andrucha Waddington, o diretor de projeções Fabio Soares, o designer de iluminação Joyce Drummond e Mari Nagem, assistente de Daniela Thomas, uma das diretoras do espetáculo. O encontro também contou com a participação do diretor Fernando Meirelles por meio de um vídeo.

Andrucha explicou como foi desafiador o trabalho dos profissionais envolvidos na elaboração da Cerimônia de Abertura. Com envolvimento de mais de 10 mil profissionais, ele contou que diversas atrações e estratégias tiveram que ser cortadas por cortes realizados no orçamento. “Tínhamos um orçamento dez vezes menor em relação a Londres e 20 vezes menor que Pequim. Chegamos a pensar em quatro cerimônias diferentes e só fechamos o roteiro três meses antes após mais de dois anos de trabalho. Ainda assim houve diversas modificações até poucos dias antes”, explicou ele.

Por conta da limitação, os profissionais tiveram que pensar em alternativas para superar a falta de recursos tecnológicos, além de pensar nas diferenças de efeitos para o público da televisão e para quem assistia ao vivo. Entre eles estava a utilização de lonas na Box City (cenário de grandes caixas que simulavam as favelas) que eram trocadas por colaboradores para dar a ideia de projeção e a ausência de grandes elementos que não passariam pelos portões do Maracanã para chegar ao campo. Também foram feitos diversos testes em pequena escala que depois eram ampliados para a cerimônia.

Mari Nagem destacou que era necessário pensar em todos os detalhes de elementos visuais para criar uma linguagem uniforme em um palco que não utilizava todo o gramado e contou que diversas paisagens do Rio de Janeiro foram utilizadas de inspiração. Já Soares explicou que foram usados 160 projetores para uma área de 8 mil m² com base em ilusionismos, tecnologias e técnicas consideradas antigas. Drummond salientou que a iluminação, que contava equipamentos em diversos locais do estádio, não poderia atrapalhar as projeções e, em muitos casos, era mínima. Por isso, ela teve que ser pensada quadro a quadro.

Apesar de todos os desafios, Andrucha salienta que o trabalho acabou se tornando muito original e agradou a todos. “Buscamos soluções para reverter as adversidades a nosso favor e utilizamos uma linha narrativa muito diferente para contar essa história. O fato de utilizarmos elementos que não são usados e adaptarmos para esse tipo de espetáculo foi muito bacana”, exalta ele.

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