A Cooke destacou o uso das lentes Panchro/i FF na produção de Kaarigari, série de microdocumentários do Aditya Birla Group que explora tradições artesanais da Índia por meio de uma abordagem visual que combina documentário, retrato cinematográfico e elementos de fantasia. Dirigida por Himanshi Handa, com direção de fotografia de Shelly Sharma, a produção percorre regiões de Gujarat, Chhattisgarh e Telangana para retratar técnicas tradicionais e as pessoas responsáveis por mantê-las vivas.
A série apresenta quatro expressões do artesanato indiano: a tecelagem Bhuj Extra Weft, a arte Dokra de Bastar, a seda Kosa e a tecelagem Gadwal. Em vez de apenas registrar os processos de fabricação, a equipe buscou aproximar o público do cotidiano dos artesãos, explorando mãos em movimento, ferramentas, fios, superfícies metálicas, luz natural e os ambientes de trabalho.
Himanshi descreve a abordagem como um “documentário de fantasia”, no qual situações reais são interpretadas por meio de cores, texturas, movimentos e iluminação. Para preservar a naturalidade das cenas, a equipe procurou se integrar aos ambientes e dar tempo para que os artesãos retomassem seu ritmo habitual antes de iniciar as filmagens. A proposta também exigiu flexibilidade diante de situações inesperadas, com a colaboração entre direção e fotografia para encontrar novas possibilidades visuais em cada local.
As filmagens de cada episódio duraram aproximadamente de um dia e meio a dois dias e meio, totalizando cerca de 12 a 14 dias de gravação, sem contar os deslocamentos. Shelly adotou movimentos de câmera na mão para acompanhar de perto os artesãos e utilizou a luz natural como base para as imagens. Nos momentos em que a narrativa se aproxima de espaços imaginários, a diretora de fotografia recorreu à iluminação cinematográfica para criar uma diferença de atmosfera.


Os detalhes também tiveram papel central na construção visual. Imagens macro e planos próximos revelam a textura dos fios, o movimento das ferramentas, o brilho do fogo e as superfícies dos materiais. Para Shelly, as lentes Cooke Panchro/i contribuíram para essa linguagem ao oferecer uma aparência suave, orgânica e levemente onírica, especialmente quando utilizadas com a abertura máxima.
“Com a abertura máxima, as Panchro têm uma característica bonita, como se tudo partisse do centro e se expandisse para fora”, explica Shelly. Segundo ela, as lentes oferecem uma qualidade vintage e sutilmente onírica. Ao fechar o diafragma, a imagem pode assumir uma aparência mais natural e realista, enquanto características como flare, contraste, suavidade e reprodução de cores ajudam a definir o caráter emocional de cada cena.
A escolha das lentes foi, portanto, parte da concepção narrativa, e não apenas uma decisão técnica. Embora a identidade visual do projeto pudesse ser mantida com outras combinações de câmeras e lentes, as Panchro/i FF acrescentaram uma camada de intimidade e atmosfera às imagens, acompanhando a transição entre a observação documental e a interpretação imaginativa.
A experiência também teve continuidade após Kaarigari. Shelly seguiu utilizando as lentes Panchro na série Scam 2010, demonstrando interesse pela versatilidade do conjunto em diferentes aberturas e contextos de produção.
Para a equipe, o trabalho artesanal e a cinematografia compartilham princípios como paciência, precisão, observação e confiança na intuição. Assim, Kaarigari procura ir além da apresentação das técnicas tradicionais, oferecendo ao público uma experiência sensorial das pessoas, dos processos e dos ambientes que dão vida a cada ofício.
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