Para o diretor de fotografia James Westlake, “Imagination of a Phoenix” foi um daqueles desafios criativos únicos que exigem tanto precisão técnica quanto liberdade visual. Dirigido por Nicholas Beveney, o longa-metragem independente explora memória, percepção e realidades mutáveis, alternando entre o drama realista e momentos oníricos.
Com um orçamento apertado, duas semanas intensas de filmagem e uma locação cheia de desafios visuais, Westlake precisava de um equipamento que fosse além de belas imagens e acompanhasse uma visão criativa fluida e em constante mudança.
“Desde o início, sabíamos que queríamos um visual cinematográfico e íntimo, que pudesse se transformar de forma natural quando a história migrasse para espaços mais intensos, quase surreais”, comentou.
O que ajudou a alcançar esse equilíbrio foi a Blackmagic PYXIS 12K, uma câmera digital de cinema de grande formato, com faixa dinâmica excepcional, facilidade de uso e um fluxo de trabalho flexível que se adequou a todas as fases da produção.
Desempenho adaptável com uso total do sensor
Westlake já tinha experiência com sensores da Blackmagic Design, como o da Blackmagic URSA Cine 12K LF. O grande diferencial da PYXIS 12K foi entregar o visual de grande formato em um corpo muito mais compacto e versátil.
“A PYXIS sempre produz imagens de grande formato, não importa a resolução que esteja usando. Graças ao sensor RGBW, não há recorte, e as lentes se comportam da mesma forma em 4K, 8K ou 12K, entregando profundidade e separação com total previsibilidade”, explicou Westlake.
Essa consistência fez toda a diferença, já que cada plano exigia uma abordagem diferente. Ora estavam no tripé, ora em um gimbal, ou usando um slider para acompanhar os atores por corredores estreitos e espaços amplos.
“Em uma produção como essa, o tempo de montagem é valioso”, destacou Westlake. “O design da PYXIS facilita a configuração. Ela teve o mesmo desempenho tanto como câmera principal quanto em gimbals leves. A PYXIS manteve tudo leve, sem que precisássemos perder tempo ajustando equipamentos de uma cena para outra.”


Para dar a certos momentos da narrativa uma sensação mais onírica e subjetiva, Westlake escolheu lentes prime Canon FD vintage, adaptadas para uso moderno e utilizadas no encaixe L da PYXIS.
“Essas lentes trazem uma suavidade e uma halação que não se encontra nas lentes modernas, perfeitas para as sequências que existem mais na memória do que na realidade. Cada lente tinha sua particularidade, que acabou se tornando parte da linguagem visual do filme”, explicou.
A curta distância de flange da PYXIS 12K facilitou a adaptação de lentes vintage. Um adaptador com trava garantiu total estabilidade nos ajustes de foco, algo importante para Westlake em setups ágeis.
Segurança total diante de condições de iluminação difíceis
Tendo como principal locação um prédio de escritórios abandonado que também era um hospital psiquiátrico, os pisos reflexivos, a luz natural irregular e os corredores estreitos tornaram a iluminação um desafio constante.
“Não podíamos instalar luzes por todos os lados. Como trabalhávamos com planos gerais, dependíamos da luz natural e do uso de preenchimento negativo sempre que possível. Isso levou a câmera ao limite em situações de contraste extremo”, destacou Westlake.
Com 16 stops de faixa dinâmica, a PYXIS 12K permitiu que Westlake priorizasse a exposição dos rostos sem perder detalhes em realces e sombras Aliada à reprodução de cores sutil do sensor RGBW, sobretudo nos tons de pele, a equipe alcançou um visual fiel e expressivo, mesmo nas condições de iluminação mista enfrentadas pela produção.
“O elenco era extremamente diverso, então a precisão dos tons de pele era essencial. Com luzes naturais rebatidas e o sensor da PYXIS, os resultados ficaram naturais, mesmo em áreas de sombra em que a cor pode facilmente perder vida”, afirmou.
Grande parte do filme foi captada com o ISO em 600 e, mesmo em ambientes internos mais escuros, as sombras se mantiveram limpas e fáceis de trabalhar na pós.
Produtividade no mundo real
Para alcançar um equilíbrio entre qualidade de imagem e tamanho de arquivo, a equipe escolheu um workflow em Blackmagic RAW 8K, gravando em 8:1 e 12:1. Segundo Westlake, essa escolha foi claramente vantajosa na pós-produção: “Durante a edição, a reprodução foi surpreendentemente fluida. O editor trabalhou diretamente com os arquivos 8K em um MacBook com processador M3, sem a necessidade de um fluxo de trabalho com proxies. Isso poupou tempo e ajudou a manter o fluxo criativo.”
Westlake usou taxas de quadros mais altas em momentos específicos, incluindo uma sequência emocional em câmera lenta, gravada a 75 fps, que ajudou a enfatizar momentos dramáticos.
Ao relembrar as filmagens, Westlake apontou a logística como o maior desafio, desde a ausência de energia elétrica no local até restrições de tempo que deixavam espaço para apenas uma ou duas tomadas por setup. Mesmo com todas essas limitações, a PYXIS 12K jamais interferiu no ritmo do set.
“Em uma produção como essa, você toma muitas decisões que estão fora do seu controle. Quando a câmera mantém um desempenho estável o tempo todo, você ganha liberdade para focar na criação. Isso fez toda a diferença para nós”, finalizou Westlake.
O resultado é um filme que flui naturalmente entre o real e o imaginário, sustentado por um conjunto de ferramentas à altura de sua ambição visual.
Site relacionado: https://www.blackmagicdesign.com
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