Home Reportagens “Frankenstein” ganha cor no DaVinci Resolve Studio

“Frankenstein” ganha cor no DaVinci Resolve Studio

Sonnenfeld reforça a interação controlada entre tons quentes e frios da icônica adaptação de Guillermo del Toro

Por Ricardo Batalha

Uma releitura opulenta da história clássica de Mary Shelley, “Frankenstein” segue o cientista homônimo (Oscar Isaac) que canaliza relâmpagos para dar vida a uma criatura feita de retalhos (Jacob Elordi). Colaboradores de longa data, del Toro e o diretor de fotografia Dan Laustsen, ASC, DFF, abordaram o filme como um clássico realizado com ferramentas modernas, apostando em sets inteiramente construídos, efeitos práticos, miniaturas e locações reais para manter o universo da produção tátil e ancorado na realidade.

O colorista sênior da Company 3, Stefan Sonnenfeld, trabalhou em estreita colaboração com del Toro e Laustsen para preservar essa estética orgânica, captada na câmera, durante toda a finalização de cor. Ao empregar o software de edição, gradação de cores, efeitos visuais (VFX) e pós-produção de áudio DaVinci Resolve Studio, Sonnenfeld se concentrou em preservar a integridade do que foi captado no set, mantendo a continuidade visual ao longo de todo o filme.

Do contraste e cor ao movimento de câmera e filosofia de iluminação, após trabalharem juntos por décadas, del Toro e Laustsen compartilham uma linguagem visual profundamente alinhada, permitindo que a cinematografia sustente perfeitamente a estética distinta do diretor desde o primeiro momento. Sonnenfeld disse que essa mesma clareza se manteve intacta na gradação de cores, pois grande parte da linguagem visual já estava incorporada à fotografia, ao design de produção e à iluminação.

“Trabalhei em vários filmes com Guillermo e Dan e, como sempre, Guillermo tinha uma visão definitiva sobre a direção de arte e figurinos desde o início”, disse Sonnenfeld. “Dan está muito sintonizado com a estética de Guillermo e sabe exatamente como usar a luz e o enquadramento para concretizar essa visão.”

Em vez de reinventar o que foi captado, Sonnenfeld descreveu seu trabalho como um refinamento. No DaVinci Resolve Studio, ele se concentrou em equilibrar as inevitáveis variações entre cortes e dias de filmagem, decorrentes de um longo cronograma, usando comparações em tela dividida, fotogramas de referência e as ferramentas de gradação de cores do software para manter a fluidez das cenas à medida que as condições mudavam.

“Eu não diria ‘montando um caminho’, mas sim pegando o que já estava no material, refinando e realçando”, disse Sonnenfeld. “Boa parte do trabalho é suavizar as diferenças sutis que surgem quando os planos de uma mesma cena são filmados com dias ou semanas de intervalo, com mudanças no clima e todas essas questões práticas que resolvemos na sala de gradação de cor.”

Laustsen planejou a produção para que os dailies e a gradação de cor final permanecessem estreitamente alinhados com a paleta de cores e o contraste já estabelecidos na câmera. Desde a especificidade dos figurinos e papéis de parede à qualidade da luz atravessando as janelas, a intenção era tomar decisões criativas no set, em vez de remodelar a imagem posteriormente na pós.

Uma parte importante dessa paleta era uma interação controlada entre tons quentes e frios. Sonnenfeld afirmou que os cineastas queriam um tom dourado acentuado para cenas à luz de velas ou tochas, apoiado por luz de fogo real e tungstênio, ao mesmo tempo em que mantinham uma presença contida de azul-aço em interiores diurnos e em áreas de sombra aberta. Utilizando o DaVinci Resolve Studio, Sonnenfeld construiu e manteve esses estilos visuais por meio de ajustes direcionados, garantindo a consistência da intenção original sem deixar a imagem com uma aparência artificial.

“Definimos alguns estilos visuais para esse tom âmbar, para manter a consistência ao longo de todo o filme”, disse. “Também há um tipo de ‘azul-aço’ que os cineastas gostaram, especialmente para os interiores diurnos e sombra aberta. Foi algo que realçamos só um pouquinho e garantimos que estava consistente onde fosse pertinente.”

Sonnenfeld reiterou que sua abordagem permaneceu intencionalmente simples, apoiada em fundamentos e moderação para manter a imagem final com um aspecto honesto. “Eu tento manter minha gradação de cores relativamente simples”, afirmou. “Há espaço para usar técnicas elaboradas e alterar completamente o que foi captado na câmera, mas em um filme como esse, o look final deve manter uma qualidade intocada e orgânica.”

“Frankenstein” está disponível para streaming na Netflix.

Site relacionado: https://www.blackmagicdesign.com

Acompanhe a Panorama Audiovisual no Facebook e YouTube

Assuntos relacionados