O LEC Studios, inaugurado no início de 2026 na região metropolitana de Miami, escolheu o console analógico SSL ORIGIN de 32 canais como peça central de seu novo estúdio comercial de gravação. O espaço integra um complexo criativo que reúne estúdios de podcast, gravação, apresentações ao vivo, pós-produção de vídeo e uma nova gravadora, oferecendo infraestrutura voltada à produção de conteúdo e ao desenvolvimento de artistas.
O projeto foi concebido por Humberto Alvarez, fundador e CEO da Logistic Events Corp. (LEC), e representa o primeiro estúdio de gravação construído pela empresa. Todo o projeto acústico, a integração dos sistemas e o mobiliário personalizado foram desenvolvidos pela Malvicino Design Group.
Além do console SSL ORIGIN, o estúdio conta com um sistema de monitoramento Dolby Atmos 9.1.4, oferecendo uma estrutura voltada tanto para novos talentos quanto para profissionais já consolidados no mercado.
A escolha do console foi feita por Horacio Malvicino, diretor-geral da Malvicino Design Group, que destacou a proximidade do equipamento com um dos modelos mais emblemáticos da fabricante. “Eu era um grande admirador da série SSL 4000. Comparado aos consoles vintage da série 4000, o ORIGIN apresenta graves mais definidos, menor nível de ruído e imagem estéreo mais refinada. Ele oferece um excelente equilíbrio entre o impacto clássico característico da SSL e a transparência exigida pelas produções modernas. O resultado é um console aberto, com excelente punch, limpo e inconfundivelmente SSL”, afirmou.
Segundo Malvicino, um dos destaques do equipamento é o equalizador E Series 242. “Ele possui médios extremamente musicais e agressivos, excelente punch e ótima presença nas altas frequências. Comparado aos equalizadores da série G, o tradicional desenho de botões pretos oferece um caráter mais marcante e uma personalidade muito próxima dos consoles clássicos da SSL, sem soar excessivamente refinado”, explicou.

Outro fator decisivo foi a integração do ORIGIN aos fluxos híbridos de produção atuais, fortemente baseados em estações de trabalho de áudio digital (DAWs). “Hoje os fluxos de trabalho são totalmente centrados nas DAWs, e o ORIGIN funciona perfeitamente como interface para gravação, monitoramento, somatório analógico, envios de monitoração e integração com equipamentos externos. O diferencial é preservar o tradicional fluxo inline da SSL enquanto se adapta naturalmente às produções modernas”, destacou.
Para ele, a arquitetura inline e a matriz de roteamento tornam a operação mais rápida e intuitiva. “A matriz de roteamento oferece um fluxo muito mais limpo e eficiente do que consoles SSL mais antigos, que dependiam de combinações mais complexas de barramentos e comandos. Outro diferencial importante é a presença de pontos de inserção em ambos os caminhos de sinal do canal. A maioria dos consoles que possui caminho de monitoração não oferece inserção no fader secundário”, observou.
Os pré-amplificadores PureDrive também foram destacados pela versatilidade. “Quando o modo Drive é ativado, eles acrescentam densidade harmônica, uma saturação sutil, médios mais presentes e um leve ganho de corpo ao som. Funcionam muito bem em vocais, baixo, sintetizadores e microfones de ambiente. É um resultado musical e elegante, sem exageros”, comentou Malvicino.
Outro recurso amplamente utilizado no estúdio é o tradicional compressor SSL G Series Bus Compressor presente na seção master do ORIGIN. “Durante as gravações, normalmente ele é utilizado de forma discreta em mixes de monitoração, compressão da ambiência da bateria ou controle de subgrupos. Já durante a mixagem, é utilizado constantemente. Configurações típicas incluem razões de compressão de 2:1 ou 4:1, ataque lento, release automático e redução de ganho entre 1 dB e 4 dB. Ele continua oferecendo a coesão, o punch e a sensação de movimento que imediatamente remetem às mixagens clássicas da SSL”, destacou.
Nas sessões realizadas no LEC Studios, as saídas da DAW são direcionadas para os retornos de fita e os faders principais do console, enquanto as entradas de microfone utilizam os faders menores. “Durante as gravações, a maioria dos engenheiros trabalha no modo inline dividido. O fader menor recebe o sinal de entrada com o pré-amplificador ativo, filtros acionados e, frequentemente, equalização aplicada ainda durante a captura. Os pontos de inserção costumam receber compressores, equalizadores, de-essers e simuladores de fita. Já o fader principal é utilizado para monitorar a reprodução da DAW, direcionada ao barramento estéreo”, explicou.
Malvicino também ressaltou a flexibilidade do sistema de subgrupos do ORIGIN. “É comum organizar subgrupos separados para bateria, instrumentos, guitarras, vocais, efeitos, compressão paralela e impressão de stems. Normalmente, esses grupos alimentam o barramento principal da mixagem”, afirmou.
Ao avaliar o equipamento, Malvicino destacou que o ORIGIN consegue preservar a experiência dos consoles clássicos sem abrir mão das necessidades atuais da produção musical. “O ORIGIN não tenta simplesmente recriar um console SSL vintage. Ele preserva o tradicional fluxo inline, o punch característico da marca, a flexibilidade de roteamento, o somatório analógico e a experiência tátil de mixagem, integrando tudo isso naturalmente aos modernos fluxos híbridos baseados em DAWs e recursos de recall. Para muitos engenheiros, representa o equilíbrio ideal entre o legado dos consoles clássicos e a praticidade exigida pelas produções atuais”, concluiu.
Site relacionado: https://solidstatelogic.com
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