Os dramas verticais, séries curtas produzidas para consumo em smartphones, deixaram de ser curiosidade para se tornar um dos segmentos mais dinâmicos do audiovisual. A previsão de receita anual de 26 bilhões de dólares até 2030 já é considerada conservadora por executivos do setor. Vivian Wang, chefe de conteúdo da plataforma Crisp, afirma que o potencial do formato ainda está longe de atingir o limite. Segundo ela, o hábito de assistir a conteúdos na vertical deixou de ser associado a momentos rápidos do dia e passou a ocupar horas contínuas de navegação, alterando profundamente a relação do público com o tempo de tela.
O formato surgiu na China com adaptações de literatura online produzidas com baixo orçamento e distribuídas em redes sociais, especialmente após a popularização do TikTok. Hoje, empresas como Vigloo, My Drama, ReelShort, CandyJar e DramaBox disputam o mercado de língua inglesa, enquanto a TelevisaUnivision oferece versões verticais de novelas na plataforma Vix. Após a Disney anunciar um novo produto em vídeo vertical, a Netflix também indicou que ampliará esse tipo de conteúdo em seu aplicativo móvel. Para executivos, a concorrência por criadores, audiência e receita publicitária nunca foi tão intensa.
A expansão está ligada a uma mudança comportamental. Na China, são produzidas cerca de 3 mil séries verticais por mês. Diferentemente do consumo horizontal tradicional, o formato vertical coloca o controle literalmente no polegar do espectador, que pode abandonar o episódio a qualquer momento. Isso exige narrativas ágeis, personagens facilmente identificáveis e ganchos imediatos. Episódios costumam ter entre 40 segundos e dois minutos e precisam apresentar conflito, escalada dramática e gancho final para evitar que o usuário deslize para outro conteúdo. Testes com pilotos curtos e votação do público ajudam plataformas como My Drama a decidir quais projetos avançam.
A monetização também passa por transformação. O modelo atual combina exibição gratuita inicial com compras dentro do aplicativo, mas plataformas chinesas como a RedFruit, lançada pela ByteDance, adotaram acesso totalmente gratuito financiado por publicidade, acumulando centenas de milhões de usuários mensais. Nesse cenário, manter o espectador pelo maior tempo possível torna-se prioridade. O crescimento do segmento também acompanha a força de narrativas voltadas ao público feminino, hoje majoritário. Executivos apontam que romances e histórias de escapismo emocional impulsionaram a explosão do formato, reposicionando o protagonismo feminino em um mercado historicamente orientado ao olhar masculino.
Fonte: Artigo de Adrian Pennington (ibc.org)
Acompanhe a Panorama Audiovisual no Facebook e YouTube