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Audiovisual: ‘dramas verticais’ avançam no mercado global

Formatos pensados para celulares crescem, movimentam bilhões e podem redefinir linguagem, monetização e disputa por audiência nas plataformas

Por Ricardo Batalha

Os dramas verticais, séries curtas produzidas para consumo em smartphones, deixaram de ser curiosidade para se tornar um dos segmentos mais dinâmicos do audiovisual. A previsão de receita anual de 26 bilhões de dólares até 2030 já é considerada conservadora por executivos do setor. Vivian Wang, chefe de conteúdo da plataforma Crisp, afirma que o potencial do formato ainda está longe de atingir o limite. Segundo ela, o hábito de assistir a conteúdos na vertical deixou de ser associado a momentos rápidos do dia e passou a ocupar horas contínuas de navegação, alterando profundamente a relação do público com o tempo de tela.

O formato surgiu na China com adaptações de literatura online produzidas com baixo orçamento e distribuídas em redes sociais, especialmente após a popularização do TikTok. Hoje, empresas como Vigloo, My Drama, ReelShort, CandyJar e DramaBox disputam o mercado de língua inglesa, enquanto a TelevisaUnivision oferece versões verticais de novelas na plataforma Vix. Após a Disney anunciar um novo produto em vídeo vertical, a Netflix também indicou que ampliará esse tipo de conteúdo em seu aplicativo móvel. Para executivos, a concorrência por criadores, audiência e receita publicitária nunca foi tão intensa.

A expansão está ligada a uma mudança comportamental. Na China, são produzidas cerca de 3 mil séries verticais por mês. Diferentemente do consumo horizontal tradicional, o formato vertical coloca o controle literalmente no polegar do espectador, que pode abandonar o episódio a qualquer momento. Isso exige narrativas ágeis, personagens facilmente identificáveis e ganchos imediatos. Episódios costumam ter entre 40 segundos e dois minutos e precisam apresentar conflito, escalada dramática e gancho final para evitar que o usuário deslize para outro conteúdo. Testes com pilotos curtos e votação do público ajudam plataformas como My Drama a decidir quais projetos avançam.

A monetização também passa por transformação. O modelo atual combina exibição gratuita inicial com compras dentro do aplicativo, mas plataformas chinesas como a RedFruit, lançada pela ByteDance, adotaram acesso totalmente gratuito financiado por publicidade, acumulando centenas de milhões de usuários mensais. Nesse cenário, manter o espectador pelo maior tempo possível torna-se prioridade. O crescimento do segmento também acompanha a força de narrativas voltadas ao público feminino, hoje majoritário. Executivos apontam que romances e histórias de escapismo emocional impulsionaram a explosão do formato, reposicionando o protagonismo feminino em um mercado historicamente orientado ao olhar masculino.

Fonte: Artigo de Adrian Pennington (ibc.org)

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