O primeiro modelo público de inteligência artificial com base de dados 100 por cento em português foi lançado em âmbito nacional durante o Encontro Nacional de IA Soberana. A iniciativa, batizada de SoberanIA, marca um avanço na estratégia brasileira de autonomia tecnológica ao utilizar exclusivamente dados do país, alinhados à língua, à cultura e aos valores da população.
O projeto reúne o Governo do Piauí, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Telebras, vinculada ao Ministério das Comunicações, além das empresas privadas Modular e Scala Data Centers. O treinamento do modelo ocorre com dados nacionais e infraestrutura brasileira, criando as bases para uma nuvem soberana voltada ao acesso de governos, instituições de pesquisa e empresas a modelos e datasets desenvolvidos no país.
A proposta é garantir domínio completo da cadeia de valor da inteligência artificial, desde a energia renovável que abastece os data centers até o software utilizado na prestação de serviços ao cidadão. A plataforma foi concebida para apoiar políticas públicas, modernizar a gestão governamental e ampliar o uso de IA em serviços essenciais.
De acordo com o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, a iniciativa demonstra a capacidade do Brasil de desenvolver modelos próprios aplicados às políticas públicas. Ele ressaltou que a soberania na agenda de inteligência artificial começa pela infraestrutura de comunicações, área em que o ministério atua com projetos como a Política Nacional de Data Centers, Escolas Conectadas, Wi-Fi Brasil e Norte Conectado, além de ações voltadas à segurança e à resiliência das redes e ao uso de IA em infraestruturas críticas.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, informou que o projeto recebeu investimento de 35 milhões de reais. Segundo ela, os recursos foram direcionados ao fortalecimento de iniciativas de IA nacional, com foco em autonomia, segurança, competitividade e soberania digital.
No estado do Piauí, o SoberanIA já está em operação em serviços considerados estratégicos. Entre eles estão o Piauí Oportunidades, que conecta jovens, empresas e oportunidades de qualificação, e o B.O. Fácil, que permite o registro de boletins de ocorrência por meio do WhatsApp.
Para o governador do Piauí, Rafael Fonteles, a primeira fase do projeto demonstrou a capacidade do país em organizar dados e desenvolver software. O próximo passo, segundo ele, é a expansão da infraestrutura, vista como um ativo de segurança nacional que poderá atender todos os estados e manter dados e inteligência sob controle brasileiro.
Com o lançamento nacional da plataforma, gestores públicos de diferentes regiões passam a ter acesso a soluções de inteligência artificial generativa treinadas com dados brasileiros, prontas para apoiar a modernização do atendimento ao cidadão e dos processos internos da administração pública.
A iniciativa tem origem em um desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a pesquisadores e professores brasileiros para o desenvolvimento de uma plataforma de inteligência artificial totalmente em português. O tema ganhou força ao longo do ano seguinte, com a apresentação de um plano na Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e, posteriormente, com o lançamento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê investimentos de 23 bilhões de reais. O Governo do Piauí assumiu papel central nesse processo e apresentou a proposta da plataforma ao MCTI no início deste ano.
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