A Canon aproveitou a IBC2026, realizada entre os dias 11 e 14 de setembro no RAI Amsterdam, em Amsterdã, para mostrar a evolução de seu ecossistema voltado à produção audiovisual profissional. No estande 11.C41, a fabricante reuniu câmeras Cinema EOS, soluções mirrorless, lentes para cinema e broadcast, câmeras robóticas PTZ e tecnologias de controle destinadas a produções multicâmera.
Mais do que apresentar equipamentos isoladamente, a estratégia da companhia na feira mostrou uma aproximação cada vez maior entre cinema digital, broadcast, produção ao vivo e criação de conteúdo, com diferentes categorias de câmeras operando dentro de fluxos de produção integrados.
A Canon do Brasil esteve representada por Fabio Zuccaratto Migotto, Gerente de Vendas da Divisão de Imagem Foto, Broadcast e Cinema, que acompanhou clientes e parceiros brasileiros durante a feira. Também esteve presente em Amsterdã Leo Yamakawa, diretor da divisão de Imaging da Canon do Brasil, acompanhando as atividades da empresa e o relacionamento com o mercado.

EOS R6 V amplia foco da linha mirrorless em vídeo
Uma das principais novidades mostradas pela Canon na IBC2026 foi a EOS R6 V, câmera híbrida full-frame desenvolvida com forte orientação para produção de vídeo.
Equipada com sensor CMOS full-frame de 32,5 megapixels, a EOS R6 V permite gravação interna em RAW de até 7K 60p e gravação 7K 30p em Open Gate, além de 4K em até 120p. A câmera também conta com estabilização de imagem no corpo e recursos destinados a produções realizadas com a câmera na mão ou em gimbals.
O Open Gate ganha importância em um cenário no qual um mesmo conteúdo precisa ser entregue simultaneamente para televisão, plataformas digitais e redes sociais. Ao utilizar uma área maior do sensor durante a captação, o recurso oferece mais liberdade para realizar posteriormente enquadramentos em formatos horizontais, verticais ou quadrados.
Com isso, a Canon posiciona a EOS R6 V como uma alternativa para criadores, videomakers e estruturas de produção compactas que procuram recursos avançados de vídeo sem necessariamente migrar para uma câmera dedicada da família Cinema EOS.
A câmera foi apresentada ao lado da também recente RF20-50mm F4 L IS USM PZ, lente zoom full-frame da série L projetada especialmente para aplicações híbridas e de vídeo.
Com distância focal de 20 a 50 mm e abertura constante f/4, a lente utiliza um sistema de Power Zoom interno, que permite controlar eletronicamente a distância focal sem modificar o comprimento físico da lente ou alterar significativamente seu centro de gravidade.
Essa característica é particularmente interessante para operações com gimbals, rigs, câmeras robotizadas e outras aplicações nas quais mudanças no balanceamento do conjunto podem interferir na operação. A objetiva também incorpora motor Nano USM, estabilização óptica e projeto voltado à redução do chamado focus breathing.
CINE-SERVO CN30×40 chega aos 1.800 mm
Para os mercados de broadcast, cinema, esportes e grandes eventos, um dos destaques do estande foi a nova CN30×40 IAS J R1/P1, também identificada como CINE-SERVO 40-1200mm T5.0-10.8.
A lente oferece zoom óptico de 30x e cobertura focal de 40 mm a 1.200 mm. Com a utilização do extensor 1,5x integrado, o alcance passa para 60 mm a 1.800 mm.
Nativamente, a óptica cobre sensores Super 35 mm. Ao acionar o extensor, também é possível trabalhar com câmeras equipadas com sensores full-frame.
O alcance coloca a CN30×40 entre as soluções mais interessantes da Canon para aplicações que exigem captação de longa distância, como esportes, vida selvagem, shows, eventos ao vivo e determinadas aplicações cinematográficas.
A lente está disponível em versões com montagens RF e PL e foi projetada para produções em 4K e 8K. Uma nova unidade de servo traz melhorias no controle de zoom e foco, além de display de informações e conexão USB-C para configuração e manutenção.
Outro ponto importante é a transmissão de metadados da lente. Na versão PL, há suporte aos sistemas Cooke /i Technology e ZEISS eXtended Data, recursos cada vez mais importantes em produções que utilizam VFX, realidade estendida e cenários virtuais.
Quando utilizada em configurações compatíveis, a CN30×40 também pode trabalhar com recursos avançados de foco e rastreamento da Canon.
Na EOS C400, por exemplo, o recurso Auto Exposure Ramping Compensation utiliza informações fornecidas pela lente para compensar eletronicamente a perda de luminosidade que ocorre durante determinadas posições do zoom, ajudando a manter a exposição mais uniforme ao longo do movimento.
Cinema EOS evolui também por firmware
A Canon também levou à IBC2026 diferentes modelos da família Cinema EOS, incluindo EOS C50, EOS C80 e EOS C400, demonstrados em diferentes configurações de produção.
C80 e C400 ganharam recentemente uma atualização importante com a introdução do novo modo Cinema Exposure.
O recurso permite alterar a distribuição da faixa dinâmica de acordo com a sensibilidade ISO, oferecendo ao operador maior controle sobre como a câmera distribui latitude entre altas luzes e sombras.
No caso da EOS C400, a atualização também acrescentou o Auto Exposure Ramping Compensation e compatibilidade com a nova CN30×40. C400 e C80 receberam ainda suporte à saída externa de áudio durante gravações em Slow & Fast Motion.
As atualizações mostram uma estratégia importante da Canon para a linha profissional: ampliar recursos e integrar novos equipamentos ao ecossistema por meio de software, aumentando a vida útil e as possibilidades operacionais das câmeras já instaladas em produtoras e emissoras.
PTZ e produção multicâmera ganham espaço
Outra área importante do estande foi dedicada à produção multicâmera e às câmeras PTZ.
A Canon demonstrou diferentes modelos de sua linha de câmeras robotizadas em conjunto com sistemas de controle remoto e ferramentas de automação. A proposta é permitir que operações com múltiplas câmeras sejam realizadas com equipes menores, ao mesmo tempo em que aumenta a consistência dos movimentos e enquadramentos.
Entre as novidades estava o RC-IP300, novo controlador compacto para câmeras PTZ apresentado pela empresa em 2026.
O equipamento pode administrar até 200 câmeras e armazenar até 100 presets por câmera. A unidade possui joystick, controles físicos e tela sensível ao toque de 3,5 polegadas, que também pode ser utilizada para visualizar sinais recebidos pela rede IP.
A solução amplia as possibilidades de aplicação das PTZ da Canon em estúdios de televisão, produções corporativas, instituições de ensino, casas de culto, eventos e estruturas de streaming.
Outro elemento dessa estratégia é o Multi-Camera Orchestration (MCO), tecnologia desenvolvida para permitir que câmeras PTZ secundárias acompanhem uma câmera principal e produzam automaticamente diferentes enquadramentos de uma mesma cena.
A Canon também apresentou as próximas evoluções de firmware de sua plataforma PTZ, com recursos previstos para chegar aos equipamentos a partir de outubro.
Entre eles está a possibilidade de gravação interna em cartão SD nas câmeras CR-N700 e CR-N400, incluindo gravação 4K 60p com taxas de até 600 Mbps.
Já CR-N700, CR-N400 e CR-N350 passarão a contar, por meio da versão paga da aplicação Auto Tracking, com o recurso Face Registration Auto Tracking, que permite cadastrar rostos e determinar prioridades para que o sistema identifique e acompanhe automaticamente pessoas específicas dentro de uma produção.
São tecnologias que demonstram como automação e rastreamento estão assumindo um papel cada vez maior na produção multicâmera, especialmente em operações nas quais uma equipe reduzida precisa administrar várias fontes de imagem.
Integração passa a ser peça central
A presença da Canon na IBC2026 evidenciou uma estratégia que vai além da disputa por especificações individuais de câmeras ou lentes.
A EOS R6 V representa a aproximação entre os recursos de cinema e o universo mirrorless. A CN30×40 amplia as possibilidades de captação de longa distância para cinema e produção ao vivo. Cinema EOS continua recebendo novas funcionalidades por software, enquanto a linha PTZ avança em controle remoto, rastreamento e automação.
No conjunto, são peças de um ecossistema no qual câmeras com características bastante diferentes podem ser utilizadas dentro de uma mesma infraestrutura.
A convergência é particularmente relevante diante de um mercado em que televisão, cinema, streaming, eventos e produção para plataformas digitais compartilham cada vez mais tecnologias e métodos de produção.
Na IBC2026, a Canon mostrou que pretende acompanhar essa transformação oferecendo não apenas novas câmeras, mas um conjunto integrado de ferramentas de captura, óptica, controle e automação para diferentes escalas de produção.
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