O novo filme de Patrick Hogan, “Blindsided”, conta a história de Maria (Crystal Loverro), uma professora cega que luta para sobreviver a uma noite aterrorizante após a queda de uma nave alienígena desencadear a presença de um predador monstruoso. Com um elenco formado inteiramente por pessoas com baixa visão, o filme posiciona o público diretamente no ponto de vista de uma protagonista cega, cuja percepção do mundo se dá exclusivamente por meio do som.
Com uma proposta narrativa única, o filme oferece ao público uma experiência imersiva da angústia vivida por Maria, uma mulher cega que enfrenta o momento mais aterrorizante de sua vida. O terror nunca é mostrado, nem para a personagem nem para o público, intensificando o suspense e lembrando que, muitas vezes, o que mais assusta é justamente aquilo que não conseguimos ver. Para criar essa experiência, Hogan contou com a Blackmagic Cinema Camera 6K e o DaVinci Resolve.
Gravado com a Blackmagic Cinema Camera 6K, o projeto utilizou o DaVinci Resolve para edição, colorização e efeitos visuais. Assinado por um designer de som com dez indicações ao Emmy, o filme já conquistou sete prêmios, entre eles “Melhor Ficção Científica/Terror” no Chicago Horror Film Festival e o renomado prêmio FilmQuest na categoria “Melhor Som”. Além de Hogan, a finalização do filme contou com o trabalho do colorista Alexander Schwab, do artista de efeitos visuais Christopher Vincelette e do designer de criaturas Dustin Washburne.
Áudio e imagem em perfeita equivalência
Hogan explicou a visão criativa por trás do filme: “Quando estamos no escuro e não conseguimos ver o que está à nossa volta, sentimos muito mais medo do que quando conseguimos enxergar. Dado isso, intensificamos o terror ao permitir que o público apenas ouvisse o que estava acontecendo com outras pessoas, sem nunca ver a ação, exatamente como Maria, a protagonista.
Todo o filme é composto por apenas seis planos, todos apresentados em tempo real. O plano mais longo e desafiador foi realizado com a personagem Crystal utilizando um rig composto por uma Snorricam enquanto ela percorria todos os cômodos de seu apartamento. Por ela ser legalmente cega sem usar óculos, realizamos muitos ensaios antes das gravações.
O uso de close-ups extremos do rosto de Maria era essencial para a narrativa. Essa proximidade permitia enxergar, nos olhos dela, o reconhecimento dos sons, do caos e do desespero das pessoas ao redor. O alto nível de detalhe captado pela Cinema Camera 6K é o que dá credibilidade ao filme, permitindo ver claramente o medo nos olhos dela.
O design compacto aliado ao sensor full-frame foi decisivo para o sucesso da Cinema Camera 6K nesse projeto. Como a atriz literalmente vestia a câmera, o tamanho reduzido, o baixo peso e a capacidade de captar uma imagem rica em detalhes foram essenciais, bem como a possibilidade de manter o foco apenas no rosto dela, com profundidade de campo extremamente rasa, desfocando o fundo e reforçando a experiência sensorial de cegueira para o público.
No enquadramento, apenas o rosto dela permanece claramente em foco. Dessa forma, o público se concentra nas expressões e emoções dela, sem distrações no plano de fundo. Embora uma câmera híbrida DSLR pudesse atender às necessidades logísticas, a modulação de realces e o visual cinematográfico característico da Cinema Camera 6K foram fundamentais, especialmente levando em conta o uso constante de close-ups.
Além disso, utilizamos a proporção widescreen 2.4:1 da câmera, permitindo que, mesmo muito próximos a ela, ainda fosse possível ver parte do que acontecia ao fundo. Pequenos vislumbres de algo assustador podem gerar uma experiência ainda mais impactante para o público. Justamente por isso a Cinema Camera 6K foi tão importante na criação do filme.
O visual e a atmosfera do filme seriam completamente diferentes se a produção tivesse utilizado outra câmera compacta. É difícil superar o visual cinematográfico rico e com transições suaves característico da linha Blackmagic Cinema.”
A revelação da criatura
A cena de revelação da criatura, que demandou 24 tomadas, foi captada com a Cinema Camera 6K montada em um gimbal, possibilitando a criação de um movimento de câmera complexo que acompanha Crystal e a criatura em ação.
Ele explicou como conseguiu realizar essa importante cena usando a Cinema Camera 6K e o Blackmagic RAW: “Só deu certo porque utilizamos o gimbal, que permitiu movimentos de câmera suaves e sutis, sem desviar a atenção da narrativa. Mais uma vez, usar uma câmera pequena e compacta como a Cinema Camera fez toda a diferença.
O design compacto da câmera também facilitou significativamente a logística de gravação em um espaço pequeno. O espaço limitado não permitia a presença de 1º e 2º assistentes de câmera ou de um segundo operador, então James Suter, nosso talentoso diretor de fotografia, operava a câmera e o gimbal sozinho.
Essa cena também se beneficiou enormemente da filmagem em Blackmagic RAW. Na verdade, a cena foi gravada mais clara do que o resultado final, permitindo que James tivesse total visibilidade da imagem para garantir foco e enquadramento precisos. Posteriormente, na pós-produção, reduzimos a exposição e fechamos os pretos, criando um clima mais escuro e assustador, em harmonia com os planos anteriores. Essa flexibilidade para ajustar a imagem e alcançar exatamente o resultado desejado foi um grande diferencial.”
Após a produção, Hogan recorreu ao DaVinci Resolve para edição e colorização, além de utilizar o Fusion na criação de três planos VFX.
“O Resolve desempenhou um papel importantíssimo. Além de eu ter editado o filme nele, assim como meus dois curtas anteriores, o colorista também utilizou o Resolve e suas ferramentas mais recentes, como a Magic Mask 2, para rotoscopia em planos VFX e ajustes precisos de cor em cenas com iluminação extremamente baixa. O Blackmagic RAW é um codec muito flexível, que permite inúmeros ajustes na pós-produção para alcançar o visual desejado. Também adicionamos uma leve granulação de filme, ressaltando ainda mais a estética cinematográfica.”
“Um dos grandes diferenciais da Cinema Camera 6K e do DaVinci Resolve é o custo acessível. Não existe no mercado outra solução que reúna imagem altamente cinematográfica, amplo alcance dinâmico, grande flexibilidade no tratamento de cores e formato compacto, tudo isso a um custo viável para produções independentes de baixo orçamento. Foi impressionante a quantidade de trabalho de pós-produção que conseguimos realizar com um único software. Há seis ou oito anos, seria impossível realizar este filme com esse orçamento e ainda alcançar o nível de qualidade de imagem e som que temos hoje”, finalizou.
Site relacionado: https://www.blackmagicdesign.com
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