A Grabyo avaliou que a edição mais recente da Integrated Systems Europe evidenciou uma fase de maturidade no setor de broadcast e produção ao vivo. Segundo a empresa, o evento mostrou menos promessas disruptivas e mais foco na aplicação prática de tecnologias sob condições reais de operação e pressão comercial.
De acordo com a análise da Grabyo, temas como cloud, inteligência artificial, produção remota e monetização deixaram de ser discussões conceituais e passaram a ser avaliados pela capacidade de entrega efetiva. O debate atual estaria concentrado na execução e na adaptação às rotinas das equipes.
No campo da produção em nuvem, a empresa observa que workflows virtualizados já fazem parte do cotidiano de muitas operações, ainda que raramente de forma integral. Modelos híbridos predominam, com uso de cloud em clipping ao vivo, geração de highlights, feeds secundários e distribuição, enquanto infraestruturas locais continuam sustentando etapas centrais da produção. Entre os fatores que ainda limitam migrações completas estão preocupações com confiabilidade em eventos de grande porte, modelos comerciais considerados pouco transparentes e a adaptação gradual de processos internos.
Em relação à infraestrutura, a Grabyo identifica consolidação do modelo híbrido também no ambiente IP. Protocolos como SRT, NDI e ST 2110 seguem relevantes para contribuição e distribuição de sinais ao vivo, mas o mercado teria superado a busca por um padrão único. As operações combinam diferentes tecnologias conforme necessidades específicas, geografia e disponibilidade de banda, com crescimento do interesse por conectividade gerenciada em produções distribuídas.
No campo da inteligência artificial, a avaliação aponta mudança de foco. A ênfase estaria menos em demonstrações visuais e mais em aplicações concretas, como legendagem em tempo real, geração automática de metadados, identificação de momentos para highlights e automações voltadas à redução de tarefas repetitivas. A confiabilidade em condições reais de transmissão passou a ser o principal critério de avaliação das soluções.
A produção remota, segundo a empresa, consolidou-se como modelo padrão em muitas equipes. Recursos como controle remoto de câmeras, intercom, tally e monitoramento já são considerados básicos. Ferramentas baseadas em navegador ganham espaço, especialmente em equipes digitais e sociais, por facilitarem colaboração distribuída e integração de novos profissionais. Persistem, porém, desafios relacionados à latência e à escalabilidade operacional.
No campo da monetização, a Grabyo observa que, apesar da evolução em inserção dinâmica de anúncios e overlays de patrocínio, muitos fluxos seguem fragmentados e dependentes de processos manuais. A gestão de direitos e restrições regionais ainda representa obstáculo relevante em distribuições globais. O mercado busca métricas mais claras de engajamento e receita, priorizando eficiência na publicação e adaptação de conteúdo ao vivo.
A análise também destaca crescimento da demanda por vídeo vertical e formatos curtos. Embora mais presentes do que em anos anteriores, esses formatos ainda são, em muitos casos, adaptações do fluxo horizontal tradicional. A tendência apontada é que vertical e short-form passem a ser planejados desde a origem da produção, especialmente para estratégias mobile e sociais, com forte ênfase em clipping ao vivo e publicação quase em tempo real.
Na avaliação da Grabyo, a ISE reforçou que o setor atravessa um momento pragmático, em que cloud, IA e produção remota estão consolidados como direções estratégicas. A adoção, porém, é condicionada por limitações de orçamento, infraestrutura e cultura operacional, favorecendo soluções que se integrem de forma gradual e reduzam complexidade no dia a dia das equipes.
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