A Grass Valley está ampliando sua estratégia de transformação digital no setor de mídia com a adoção de uma arquitetura totalmente elástica para workflows de produção. A iniciativa, centrada no sistema operacional AMPP, busca enfrentar um dos maiores entraves das operações de broadcast: o alto consumo energético de infraestruturas dimensionadas para picos de demanda.
Tradicionalmente, emissoras e produtoras mantêm hardware dedicado funcionando 24 horas por dia para garantir disponibilidade durante transmissões ao vivo e eventos de grande audiência. Esse modelo, porém, permanece ativo mesmo quando a carga de trabalho é mínima, gerando desperdício de recursos computacionais e impacto ambiental significativo.
A proposta da Grass Valley é substituir essa abordagem fixa por um ambiente virtualizado, no qual funções de produção, como switching, multiviewing, replay e processamento de sinais, podem ser ativadas, escaladas ou desativadas automaticamente. O AMPP funciona como uma camada de orquestração que distribui tarefas em tempo real conforme a necessidade do workflow, reduzindo o uso de hardware físico e equilibrando custo, desempenho e consumo energético.
Para facilitar a transição, a Grass Valley desenvolveu o AMPP para operar de forma híbrida, integrando-se aos sistemas já instalados. A compatibilidade permite que as empresas estendam a vida útil do parque tecnológico atual enquanto migram gradualmente para uma arquitetura centrada em software. A ideia é evitar renovações completas de hardware e alinhar investimentos a estratégias operacionais, e não a ciclos rígidos de atualização.
Reconhecendo que nem todas as equipes têm expertise em nuvem ou DevOps, a companhia lançou o GV Hosted, um ambiente de computação hospedado na AWS e administrado por engenheiros da Grass Valley. O modelo oferece infraestrutura elástica pronta para uso, permitindo que as equipes mantenham o foco na produção enquanto a empresa gerencia provisionamento, segurança, escalabilidade e performance.
Segundo a Grass Valley, a computação elástica tem ganhado destaque não apenas pela eficiência técnica, mas também pelo impacto ambiental. Ao vincular o consumo energético ao volume real de operação, o modelo elimina o uso contínuo de recursos ociosos e reduz os custos associados à refrigeração e manutenção de grandes instalações.
A empresa avalia que o setor de mídia está entrando em uma fase em que a inovação passa pela camada arquitetural, substituindo infraestruturas físicas pesadas por serviços flexíveis, escaláveis e energeticamente eficientes.
Mesmo com a redução da dependência de hardware dedicado, a Grass Valley afirma que o AMPP mantém os requisitos críticos de workflows ao vivo, como baixa latência, precisão de switching e alta confiabilidade. A plataforma também permite reconfigurações rápidas e testes de novos formatos de produção sem a necessidade de provisionamento físico.
Com essa estratégia, a Grass Valley busca consolidar-se como referência na transição para produções definidas por software, combinando sustentabilidade, escalabilidade e desempenho, requisitos centrais para o futuro das operações de mídia.
Site relacionado: https://www.grassvalley.com/
Acompanhe a Panorama Audiovisual no Facebook e YouTube