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Minissérie da Netflix “As Mortas” colorizada com DaVinci Resolve

“As Mortas”, adaptação do romance mexicano, traz suspense e tensão com uma estética sombria e visualmente rica

Por Ricardo Batalha

Baseada no romance de 1977 do escritor e dramaturgo mexicano Jorge Ibargüengoitia, “As Mortas” narra a história real das irmãs Baladro, inspiradas nas irmãs González Valenzuela, que construíram um império de bordéis e se tornaram assassinas cruéis no México da década de 1960. Adaptada para uma minissérie de seis episódios, a aclamada “As Mortas”, da Netflix, foi dirigida por Luis Estrada, com Alberto Anaya Adalid como diretor de fotografia e Sandra Klass como colorista.

Desde o início da produção, Estrada e Anaya Adalid colaboraram com Klass para definir a identidade visual da série, alinhada à visão específica de Estrada, que privilegiava tons âmbar e monocromáticos, trazendo um visual clássico, porém atemporal. Para criar essa estética sombria e sofisticada, Anaya Adalid e Klass recorreram ao DaVinci Resolve Studio para edição, gradação de cores, efeitos visuais (VFX) e pós-produção de áudio.

“Estrada tem uma forte preferência pela cor âmbar em seus projetos, então trabalhamos para emular esse tom na criação de uma LUT, em parceria com o DIT Mike Aguilar, combinando filtros ópticos da Tiffen, como tobacco, antique, green e yellow, até chegar à combinação ideal, que depois replicamos no DaVinci Resolve Studio a partir de uma imagem limpa”, disse Anaya Adalid. “Para Estrada, buscar referências visuais em alguns de seus filmes favoritos é essencial, como ‘Onde os Fracos Não Têm Vez’, ‘Bravura Indômita’ e ‘O Beco do Pesadelo’, além de clássicos como ‘As Vinhas da Ira’ e ‘Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia.’”

“Desde o começo, Anaya Adalid deixou muito clara a estética desejada por Estrada. Ele apresentou inúmeras referências, incluindo seus trabalhos anteriores, e conversamos muito sobre o que funcionava visualmente dentro dessas referências”, complementou Klass.

“Filmamos em diferentes ambientes, incluindo locações reais e estúdio, com cenas de dia e de noite, internas e externas, testando como os filtros se comportavam e como essa combinação funcionava sob diversas condições de iluminação, pois desde o início queríamos trabalhar com uma única LUT”, explicou Anaya Adalid. “Desenvolvemos então uma LUT subexposta personalizada, que nos permitiu expor o ‘negativo da câmera’ com bastante informação, preservando os detalhes nas áreas escuras e criando um visual sombrio que pudesse ser ajustado posteriormente na pós-produção.”

Dentro das decisões estéticas que sustentam a narrativa, Anaya Adalid ressaltou a importância de adotar uma paleta de cores alinhada ao estilo dos filmes de Estrada, marcados pela intensidade dos tons âmbar.

“Combinamos filtros de cor para recriar exatamente esse visual no Resolve, sem depender do uso de filtros de vidro. Em seguida, Klass ajustou tudo usando as poderosas ferramentas do Resolve, tratando os tons de pele, equilibrando a dominante cromática, adicionando um pouco de azul às sombras e dessaturando levemente toda a imagem”, explicou.

“Inserir tons azulados nos pretos cria um visual que remete ao visual de película, trazendo mais naturalidade à imagem. Usei uma técnica de telecine para fazer com que azuis e verdes se destacassem em um quadro com uma camada geral de cor tobacco. Essa camada eliminaria o azul do céu, mas ao manipular a gradação base e ajustar alguns secundários, os azuis e verdes puderam surgir de maneira elegante”, comentou Klass.

Para Anaya Adalid, criar cenas escuras com sombras ricas em detalhes foi fundamental para sustentar a narrativa e reforçar a atmosfera misteriosa da série.

“A história é bem sombria, então queríamos explorar esse aspecto ao máximo. Estrada se preocupa muito com os rostos dos atores e com a atmosfera como um todo, então criamos LUTs subexpostas que nos permitiram preservar informações suficientes para refiná-las posteriormente na pós-produção”, explicou. Aliando isso à enorme capacidade de Klass em utilizar as ferramentas avançadas do Resolve, como rastreamento, fosco e isolamento de áreas do quadro, pudemos trabalhar bastante com a quantidade de detalhes e sombras que queríamos.

“Trabalhar com Klass foi excepcional. Sua sensibilidade, bom gosto e habilidades são impressionantes”, acrescentou. “A LUT foi desenvolvida com base em inúmeros testes, assim, quando começamos a correção de cores, tudo correu de forma muito tranquila. Chegamos exatamente ao resultado que tínhamos idealizado, desde a etapa de adicionar granulação até corrigir as cores. Desenvolvemos inclusive novas texturas e nuances de cores para separar e destacar diferentes momentos da narrativa. Foram muitos detalhes que precisaram ser únicos, porém sutis, para que o público não sentisse que se tratava de uma série diferente. Nuances e até diferenças mais radicais, como as presentes em alguns flashbacks, tiveram que se integrar perfeitamente, e foi exatamente o que aconteceu.”

“Estamos extremamente orgulhosos deste projeto e dos resultados que alcançamos”, concluiu Anaya Adalid.

“As Mortas” está disponível na Netflix.

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