Anunciada dois dias antes do trigésimo aniversário de “Definitely Maybe”, a turnê Oasis Live 25 marcou o primeiro retorno da banda aos palcos desde a separação em 2009. A série de shows passou pelo Reino Unido, América do Norte e do Sul, Austrália e Ásia e gerou tanta expectativa que seis discos anteriores do grupo voltaram a entrar nas paradas britânicas, com um deles retornando ao top 10.
Na turnê, Steve Weall cuida dos monitores de Noel e de parte da banda, enquanto Bertie Hunter opera os monitores de Liam e dos demais músicos. A divisão das mesas não se deve a divergências entre os irmãos, explica Weall, que também trabalha com o projeto solo de Noel, “Noel Gallagher’s High Flying Birds”. Para ele, em produções desse porte é comum que cada artista tenha um engenheiro dedicado exclusivamente ao seu retorno.
A produção conta com o que há de mais avançado em tecnologia de monitores. O pacote inclui duas mesas DiGiCo Quantum852, além de consoles Quantum338 e Quantum326 usados por bandas de abertura. O fornecimento é da Urban Audio Productions, do Reino Unido, cujo diretor técnico, Dan Lewis, também integra a equipe de frente de house do Oasis. A empresa forneceu ainda um processador transform.engine da Fourier Audio utilizado por Weall.
Os dois engenheiros de monitores trabalham lado a lado e compartilham um conjunto de racks SD responsáveis pelas entradas e pela maior parte das saídas, além de um sistema de RF da Shure para os in-ear. Weall utiliza um SD-Rack local, enquanto Hunter opera com um SD-MiNi Rack e uma mesa SD11 responsável por canais de comunicação, talkback e matrix, tudo interligado por uma grande rede Optocore. Os dois consoles somam cerca de 140 entradas e 100 saídas, incluindo processamentos externos.
Apesar da proximidade, as operações são independentes para garantir a cada Gallagher um ambiente de monitores próprio. Hunter destaca que ambos precisam definir o ganho de cada canal em conjunto, e que essa colaboração foi facilitada pela operação lado a lado. Ele também recebe stems de efeitos vindos da mixagem de frente de house para integrar delays e detalhes vocais de Liam, mantendo tudo sincronizado. A infraestrutura da DiGiCo permite que cada engenheiro configure o fluxo de sinais da forma mais eficiente para o show.
Os consoles Quantum852 foram adquiridos especialmente para a turnê. Weall destaca a presença de uma terceira tela e do motor redundante como diferenciais importantes para um show dessa escala. Já Hunter explica que organiza sua mesa com Liam em uma extremidade e os músicos nos in-ear na outra, mantendo ao centro seus equalizadores e saídas. Ele afirma que nenhuma outra mesa permite configurar tudo com tanta agilidade, especialmente em uma produção que exige acesso imediato a qualquer canal sem navegar por várias camadas.
No processamento, Hunter utiliza com frequência o Chilli 6, módulo de dinâmica do Spice Rack, além de pré-amplificadores Midas XL42 para dar ao vocal de Liam a sonoridade clássica do Oasis. Seu setup inclui ainda compressores Distressor, equalizadores Kush Audio e reverbs Bricasti M7. Weall, por sua vez, trabalha com cerca de 24 canais estéreo de efeitos e usa processamentos externos como Neve 5045, Summit DCL 200, Bricasti M7 e processadores de barramento da Neve, integrando tudo via envios auxiliares e inserts diretamente nos in-ear.
Weall afirma que não utiliza muitos plug-ins em monitores, mas valoriza ferramentas de medição e análise disponíveis no sistema, que passaram a fazer parte do seu fluxo de trabalho graças ao suporte da equipe da Fourier Audio em Londres. Ele destaca que pretende incorporar ainda mais o transform.engine a futuros projetos.
A Urban Audio, responsável pelo fornecimento, já trabalhava com a linha Quantum da DiGiCo em seu acervo. O diretor geral, Warren Fisher, afirma que a empresa investe na marca por atender às necessidades dos clientes. Ele explica que, durante o planejamento da turnê do Oasis, tornou-se evidente que Weall e Hunter estavam totalmente familiarizados com a plataforma DiGiCo, o que tornou natural a adoção dos consoles Quantum852. Fisher ressalta que a redundância, a ampla capacidade de entradas e saídas e a possibilidade de integrar toda a estrutura em um loop Optocore foram fatores essenciais para montar um sistema complexo, porém fácil de transportar. Ele afirma que os consoles têm apresentado desempenho impecável e que a Urban Audio pretende utilizá-los em muitos outros projetos.
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