A NAB Show 2026 reforçou um debate central para o futuro da televisão digital nos Estados Unidos: a necessidade de encerrar o padrão ATSC 1.0. A mensagem apareceu de forma direta no estande da Sinclair/ONE Media, com a frase “ATSC 1.0 Must Go!”.
Defensores do ATSC 3.0 afirmam que a definição de uma data para o desligamento do padrão antigo é essencial para o avanço da indústria. Embora o compartilhamento de canais em 3.0 tenha cumprido um papel de transição, a convivência prolongada entre ATSC 1.0 e 3.0 impede o uso pleno do espectro e limita os benefícios do chamado NextGen TV.
O tema ganha ainda mais relevância diante de movimentos fora do setor. Em 15 de abril, a empresa Landover Saturn 5 LLC protocolou junto à Federal Communications Commission um pedido para reconfigurar os canais UHF 28 a 36, criando um bloco contínuo de espectro voltado para aplicações em 5G e futuras tecnologias 6G.
A proposta prevê a atuação da empresa como coordenadora neutra, organizando a participação das emissoras, a liberação de espectro e o reposicionamento dos canais abaixo do canal 28, além de estruturar a monetização desse espectro. Segundo o documento, a iniciativa poderia gerar cerca de 15 bilhões de dólares ao governo federal, valor superior ao obtido em leilões anteriores.
Independentemente da viabilidade da proposta, o movimento evidencia como o atual modelo, com forte ocupação do espectro pelo ATSC 1.0, limita tanto a evolução das emissoras quanto novas possibilidades de uso. O próprio pedido destaca o compartilhamento em ATSC 3.0 como um dos pilares para viabilizar a reorganização sem eliminar a presença local das emissoras.
Neste cenário, as emissoras manteriam sua distribuição de conteúdo e identidade de marca ao migrar para capacidade compartilhada em ATSC 3.0, ao mesmo tempo em que poderiam explorar novas oportunidades ligadas a dados, multicasting e distribuição digital.
Há algum tempo, representantes da indústria já alertam que a manutenção indefinida dos dois padrões cria um impasse. Executivos do setor classificam o modelo atual como um cenário que entrega limitações tanto para emissoras quanto para o público.
A convergência entre a mensagem apresentada pela Sinclair na NAB Show e a proposta da Landover indica um ponto em comum no debate: a necessidade de avançar além do ATSC 1.0 para liberar o potencial do espectro e viabilizar novos modelos de negócio na televisão digital.
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