A ATSC anunciou resultados de testes de laboratório e de uma demonstração realizada no Brasil que validaram tecnologias de cancelamento de interferências e recepção de sinais para a próxima geração da radiodifusão. Os avanços foram apresentados pela Equipe de Implementação 5 (IT-5), responsável pelo desenvolvimento da Rede de Torres, e apontam possibilidades para ampliar a eficiência do espectro e a flexibilidade das redes baseadas no padrão ATSC 3.0.
A demonstração ocorreu durante o Simpósio Internacional de Sistemas Multimídia de Banda Larga e Radiodifusão (BMSB) de 2026, realizado em João Pessoa, entre 8 e 10 de julho. Coordenado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, o trabalho reuniu hardware, software e algoritmos desenvolvidos ou fornecidos por integrantes do IT-5 da Universidade do País Basco, na Espanha, da Universidade Jiao Tong de Xangai, na China, do Instituto de Pesquisa em Eletrônica e Telecomunicações (ETRI), da Coreia do Sul, e da Western University, no Canadá.
Durante o teste, os pesquisadores conseguiram decodificar em tempo real um sinal de radiodifusão de baixa potência enquanto cancelavam um sinal significativamente mais forte transmitido na mesma frequência. Na configuração demonstrada, o sinal desejado foi recebido com potência 37 decibéis inferior à do sinal interferente mais forte.
A demonstração utilizou uma Rede de Comunicação Intertorre (ITCN) e a tecnologia de Transmissão Local Segmentada Geograficamente (GSL). A combinação permite explorar a sobreposição geográfica de sinais de estações locais e aplicar técnicas avançadas de processamento para melhorar a recepção em ambientes sujeitos a interferências na mesma frequência, também chamadas de interferências cocanal.
Os resultados indicam o potencial dessas tecnologias para permitir configurações mais flexíveis de redes de transmissão. Entre as aplicações possíveis estão o melhor aproveitamento do espectro, a distribuição de conteúdo direcionado a regiões específicas e a expansão de serviços sem a necessidade de reservar frequências distintas para todas as áreas de cobertura.
“Esta demonstração é um exemplo importante de como o ATSC 3.0 continua a evoluir para além da transmissão televisiva tradicional. A capacidade de gerenciar ambientes de sinal complexos e utilizar o espectro de forma mais eficiente abre novas possibilidades para as emissoras. Também reforça o valor da colaboração internacional na transição de tecnologias promissoras do laboratório para a aplicação prática”, afirmou Madeleine Noland, presidente da ATSC.
O desenvolvimento está relacionado ao avanço da TV 3.0 no Brasil, iniciativa que tem contribuído para pesquisas sobre transmissão localizada e eficiência espectral. Segundo a ATSC, as necessidades brasileiras estimularam a colaboração internacional entre integrantes do IT-5 para desenvolver e demonstrar recursos de cancelamento de interferências e recepção de sinais.
No país, os testes da TV 3.0 também incluem atividades piloto em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Medições de campo realizadas na estação Sumaré, da Globo, no Rio de Janeiro, estão avaliando configurações de antenas em condições reais de recepção.
A ATSC considera que os resultados obtidos no Brasil podem contribuir para o desenvolvimento de redes de radiodifusão mais eficientes em outros mercados, especialmente em aplicações que exigem melhor aproveitamento do espectro e distribuição regionalizada de conteúdo.
Os avanços também integram as discussões previstas para o Fórum de Tecnologia de Radiodifusão do IEEE, marcado para 27 e 28 de outubro de 2026, na sede da Associação Nacional de Radiodifusores (NAB), em Washington, nos Estados Unidos. O encontro reunirá emissoras, engenheiros, desenvolvedores e representantes do setor para discutir a evolução do ATSC 3.0, a eficiência espectral, as tecnologias avançadas de transmissão e as novas arquiteturas de rede.
“Desenvolvimentos como os demonstrados no Brasil mostram a importância da colaboração técnica contínua e do diálogo com o setor. O Fórum de Tecnologia de Radiodifusão do IEEE oferece uma oportunidade para reunir especialistas que estão ajudando a transformar esses avanços em soluções práticas para a radiodifusão”, acrescentou Noland.
Site relacionado: https://www.atsc.org/
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