A Gravity Media desenvolveu uma estrutura de produção remota para viabilizar a cobertura do Campeonato Mundial de Ciclismo Gravel, realizado em Nannup, na Austrália Ocidental. A operação foi criada para a Beyond Productions e conectou equipes técnicas posicionadas no percurso à central de produção da empresa em Melbourne, localizada a aproximadamente 3 mil quilômetros de distância.
Pela primeira vez, o Campeonato Mundial de Gravel da União Ciclística Internacional (UCI) foi realizado fora da Europa. A competição reuniu alguns dos principais nomes do ciclismo mundial em um percurso que atravessou vales e áreas florestais de Nannup. A localização remota representou um desafio significativo para a produção audiovisual, especialmente pelos custos de deslocamento, hospedagem e logística exigidos por uma operação convencional com unidades móveis de transmissão.
Para contornar essas dificuldades, a Gravity Media reuniu diferentes equipes especializadas e desenvolveu um modelo alternativo de produção. A estratégia concentrou o controle operacional no Production Center da empresa, em Melbourne, enquanto reduziu a estrutura necessária no local da competição. A solução combinou infraestrutura, conectividade e conhecimento técnico para viabilizar uma transmissão internacional sem a necessidade de instalar uma unidade móvel tradicional no evento.
A cobertura do percurso exigiu uma operação flexível com múltiplas câmeras, capaz de acompanhar os ciclistas em diferentes pontos do trajeto. A estrutura combinou câmeras fixas nas áreas de largada e chegada com equipamentos móveis instalados em motocicletas de acompanhamento e veículos todo-terreno, além de drones e helicópteros para imagens aéreas.
O transporte dos sinais de vídeo ao longo do percurso também exigiu uma infraestrutura específica. Links de radiofrequência, combinados com conexões móveis e sistemas de transmissão por redes celulares agregadas, permitiram conectar as diferentes posições de câmera distribuídas pela região. Unidades móveis DSNG, posicionadas em vários pontos, foram utilizadas para multiplexar e transportar os sinais até o centro de produção em Melbourne. A tecnologia CELBO, desenvolvida pela Gravity Media para produção remota, também deu suporte às câmeras instaladas nas áreas de largada e chegada.
Esse modelo distribuído permitiu utilizar diferentes plataformas de captação ao longo do percurso, mantendo o controle da produção centralizado em Melbourne. No Production Center, as operações de controle e o estúdio de apresentação virtual deram suporte à equipe da Beyond Productions.
A estrutura recebeu, processou e sincronizou os diversos sinais ao vivo enviados de Nannup. A produção foi integrada às instalações da Gravity Media, com os sinais destinados ao público australiano e à transmissão internacional sendo produzidos na sala de controle. O ambiente de apresentação virtual também recebeu os comentários localizados, enquanto sistemas da EVS contribuíram para o fluxo de trabalho audiovisual.
A infraestrutura de comunicação teve papel fundamental na coordenação das equipes distribuídas pela extensa área da competição. Uma rede IP foi implementada para conectar as diferentes operações, complementada por pontos de acesso à internet via satélite. O rastreamento por GPS também foi integrado aos sistemas instalados nas motocicletas, permitindo incorporar informações de localização à produção.
O fluxo de trabalho possibilitou à Beyond Productions produzir um sinal internacional destinado ao público de ciclismo em diferentes países, além de uma cobertura específica para a audiência australiana, transmitida pela SBS. A programação local incluiu entrevistas especiais, entradas ao vivo e comentários.
A Boost Graphics, subsidiária da Gravity Media sediada na Bélgica e especializada em gráficos ao vivo e produção virtual, também teve participação importante no projeto. Com experiência em grandes competições europeias de ciclismo e eventos da UCI, a equipe contribuiu com conhecimentos específicos para integrar o rastreamento por GPS à transmissão e ampliar os recursos visuais disponíveis ao público.
A operação reuniu diferentes especialidades técnicas, desde o planejamento dos sistemas de captação e transmissão até a implantação da comunicação ao longo do percurso e a integração dos sinais na central de Melbourne. O projeto demonstrou como a revisão dos modelos tradicionais de transmissão externa pode ampliar as possibilidades de produção esportiva, especialmente em eventos realizados em regiões remotas e com desafios logísticos.
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