Ao longo das últimas duas décadas, a TREE Digital Studio consolidou sua posição entre os principais estúdios de pós-produção e correção de cor do Japão. A trajetória inclui parcerias internacionais estratégicas, expansão contínua das suítes de gradação e, mais recentemente, a adoção do Baselight M e a inauguração de uma sala dedicada à correção de cor para cinema em 2026.
Em entrevista, o colorista sênior Yusuke Adachi e o assistente de colorista Katsuhiro Naganuma detalharam a filosofia criativa do estúdio, a evolução dos fluxos de trabalho e o impacto das novas ferramentas em suas operações.
Segundo Adachi, a TREE Digital Studio evoluiu ao longo da última década para se tornar um dos principais polos criativos do Japão, combinando experiência internacional e infraestrutura local avançada. O estúdio foi originalmente estabelecido por meio de parcerias com a Company 3 e posteriormente com a MPC, ampliando continuamente suas suítes de gradação e fluxos de trabalho para atender produções cada vez mais sofisticadas.
Dentro da divisão de pós-produção Digital Garden, a equipe de cor atua em projetos que vão desde comerciais de televisão exibidos nacionalmente até produções cinematográficas reconhecidas internacionalmente. A chegada do Baselight e da nova sala Screen Grading Room (SCR-331) ampliou a capacidade do estúdio de oferecer experiências cinematográficas com elevados padrões criativos e técnicos.
Adachi contou que sua formação em cinematografia na Nihon University o levou inicialmente a buscar uma carreira como diretor de fotografia. No entanto, o contato com a correção de cor despertou um interesse maior pelo trabalho com luz e cores, motivando sua transição para a área de colorização. A experiência adquirida junto a coloristas internacionais da Company 3 e MPC contribuiu para moldar sua abordagem criativa.
Naganuma, por sua vez, estudou na Ritsumeikan University e ingressou na TREE Digital Studio em 2023. Desde então, trabalhou em comerciais, produções da Netflix e videoclipes, ampliando seu conhecimento técnico e artístico na área de correção de cor.
A decisão de investir no Baselight M e no painel Blackboard Classic foi influenciada principalmente pela possibilidade de integração com a infraestrutura existente baseada em Mac Pro. Segundo Adachi, a compatibilidade reduziu significativamente custos e complexidade de implementação. Além disso, o estúdio buscava maior eficiência nos fluxos de trabalho entre departamentos, especialmente por meio do uso de arquivos BLG.
Naganuma destacou que sistemas completos como o Baselight TWO exigem investimentos iniciais elevados. O fato de o Baselight M operar em macOS e utilizar um modelo de assinatura tornou a adoção mais acessível para a empresa.
Atualmente, a equipe é formada principalmente por coloristas e assistentes de coloristas. Em produções de maior porte, como longas-metragens, equipes dedicadas são montadas para garantir qualidade e minimizar erros durante os processos de pós-produção.
Embora o uso do Baselight M ainda esteja em fase de expansão dentro do estúdio, Adachi afirma que a abordagem diferenciada do sistema para gerenciamento de cor e espaços de cor tem proporcionado aprendizado técnico e criativo constante. Um dos objetivos da equipe é ampliar a integração entre os departamentos utilizando arquivos BLG.
Outro aspecto valorizado pela equipe é o suporte técnico oferecido pela FilmLight e pela Restar. Naganuma ressaltou a importância de contar com atendimento em japonês e com especialistas familiarizados com o Baselight, o que proporciona maior confiança durante a utilização da plataforma.
Entre os recursos mais utilizados do Baselight M, Adachi destaca as ferramentas Base Grade, X Grade e Chromogen, que permitem construir visuais complexos com alto grau de flexibilidade. A execução do software em ambiente macOS também foi apontada como uma vantagem importante para a adoção da solução.
Ao comparar o Baselight com o DaVinci Resolve, Naganuma destacou os fluxos de trabalho baseados em espaço de cena e a gestão consistente de espaços de cor como diferenciais importantes. Ferramentas como Edit Modulation oferecem controle preciso sobre luminância e saturação sem a necessidade de combinar múltiplos recursos, reduzindo artefatos e aumentando a consistência dos ajustes.
Em projetos recentes, Adachi utilizou recursos como Pivot para refinar detalhes em cenas escuras e Hue Shift para controlar a tonalidade dos céus, observando boa preservação da qualidade da imagem mesmo com ajustes intensos.
Naganuma também destacou o X Grade como uma das ferramentas mais poderosas da plataforma, especialmente pela capacidade de realizar ajustes de cor complexos sem necessidade de keying e mantendo o ponto de branco ancorado de forma natural.
Ao final da entrevista, Adachi aconselhou jovens profissionais interessados em seguir carreira na área a buscar inspiração não apenas no cinema, mas também na fotografia, pintura e experiências cotidianas, destacando que a comunicação constante e a disposição para aprender continuam sendo fundamentais para o desenvolvimento criativo.
Site relacionado: https://www.filmlight.ltd.uk
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