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URSA Cine 12K LF e PYXIS 12K dão vida a Nameless, de Hideo Jojo

Criando um universo visual único com o alto desempenho em ISO e a criação de looks baseada em LUTs das câmeras Blackmagic Design

Por Ricardo Batalha

O thriller de suspense “Nameless” começa com um ataque em massa a um restaurante familiar em plena luz do dia e acompanha um homem de meia-idade dotado de habilidades extraordinárias que desafiam toda lógica. O longa é dirigido por Hideo Jojo, enquanto o protagonista Jiro Sato também assina a obra original e o roteiro.

Para a produção, o diretor de fotografia Masaki Watanabe utilizou as câmeras Blackmagic URSA Cine 12K LF, Blackmagic PYXIS 12K e Blackmagic Cinema Camera 6K. A correção de cor ficou a cargo da colorista Miki Inagawa, que trabalhou com o DaVinci Resolve Studio e um DaVinci Resolve Mini Panel. O projeto marca a terceira colaboração entre Watanabe, Inagawa e Jojo, após “Nighttime Warbles” e “A Bad Summer”.

Segundo Watanabe, o diretor costuma conceder ampla liberdade criativa durante as filmagens, mas desta vez fez um pedido específico. “O diretor normalmente me dá bastante liberdade e raramente define detalhadamente a aparência que deseja. Desta vez, porém, ele descreveu o visual como algo ‘denso e carregado’. A partir dessa orientação, desenvolvi uma estética própria para o filme, criando uma aparência semelhante à de um filtro âmbar para reforçar a atmosfera nebulosa.”

Em vez de utilizar filtros físicos durante as gravações, a equipe optou por desenvolver uma LUT personalizada baseada em um filtro Coral. “Nos testes iniciais utilizamos um filtro Coral como referência e pedimos à Inagawa que recriasse esse visual no DaVinci Resolve. Essa LUT foi utilizada durante as filmagens e serviu como base para toda a gradação de cores. Como um filtro físico mais intenso reduziria a luz em aproximadamente meio stop e havia muitas cenas externas noturnas, preferimos trabalhar com a LUT”, explicou Watanabe.

Inagawa detalhou o processo de criação. “Captamos tabelas de cores com e sem o filtro Coral e, em seguida, adicionei tons âmbar à versão sem filtro para reproduzir a forma de onda da versão filtrada, criando uma LUT específica para as filmagens. Na gradação final reconstruímos essa LUT com pequenos ajustes, preservando praticamente toda a aparência definida no set. Isso evitou perda de luz mesmo nas cenas mais escuras e ainda permitiu ajustar com precisão sua intensidade em cada plano.”

As câmeras Blackmagic URSA Cine 12K LF e Blackmagic PYXIS 12K foram utilizadas como equipamentos principais, enquanto a Blackmagic Cinema Camera 6K foi destinada às tomadas com gimbal. “A URSA Cine 12K LF foi utilizada principalmente em ambientes externos graças ao filtro ND integrado. Já a PYXIS 12K, por ser mais compacta, foi escolhida para locais internos com pouco espaço. Um aspecto muito positivo foi a inexistência de diferenças perceptíveis entre as imagens produzidas pelas duas câmeras.”

As lentes principais foram Canon Sumire Prime, enquanto a Cinema Camera 6K recebeu lentes Canon FD vintage. “As lentes Sumire Prime produzem um bokeh muito característico em grandes aberturas e, combinadas ao sensor full frame, contribuíram para uma identidade visual bastante marcante.”

Esta foi a primeira experiência de Watanabe com a URSA Cine 12K LF e a PYXIS 12K, e o desempenho em sensibilidades elevadas chamou sua atenção. “As duas câmeras apresentaram excelente desempenho mesmo em ISOs elevados. Embora a sensibilidade base seja ISO 800, trabalhei frequentemente em ISO 1600 e, em algumas ocasiões, até ISO 3200. O nível extremamente baixo de ruído nas sombras é realmente impressionante. O visual obtido em ISO 1600 foi um dos que mais me agradaram.”

Inagawa destacou que o excelente desempenho reduziu significativamente a necessidade de tratamentos adicionais. “Embora o filme tenha muitas cenas escuras, praticamente não foi necessário utilizar redução de ruído.”

Outro aspecto elogiado foi o desempenho do obturador eletrônico. “Também fiquei impressionado por não precisar me preocupar com distorções provocadas pelo rolling shutter. O filme exigiu movimentos de câmera bastante intensos e, ainda assim, a imagem permaneceu livre de distorções. Isso me permitiu trabalhar com muito mais liberdade.”

Durante algumas cenas, Watanabe utilizou uma técnica pouco convencional para ampliar a latitude nos realces. “Mesmo com bastante luz disponível, optei por trabalhar em ISO mais elevado. Ao aumentar o ISO e compensar com uma velocidade maior do obturador, é possível ganhar aproximadamente um stop adicional de latitude nos realces em relação à exposição convencional. Em cenas de alto contraste, isso ajudou a preservar muito mais detalhes.”

Embora as câmeras permitam gravação em 12K, a produção foi realizada em 8K. “Captar em 12K seria mais do que suficiente para um lançamento nos cinemas japoneses, então escolhi filmar em 8K. Mesmo assim, fiquei impressionado com o nível de detalhe. Além disso, trabalhar em alta resolução oferece maior liberdade para ajustar enquadramentos durante a pós-produção.”

Na etapa de correção de cor, Inagawa buscou preservar a identidade visual definida desde o início das filmagens. “Meu objetivo foi manter uma direção de cor consistente durante todo o filme, evitando um visual excessivamente colorido. Como a LUT já havia sido preparada antecipadamente, meu trabalho foi preservar essa identidade. Uma das minhas cenas favoritas é a sequência do parque de diversões. A luz suave do inverno e os tons âmbar ficaram extremamente naturais.”

Ao final da produção, Watanabe destacou um comentário recebido do ator e roteirista Jiro Sato. “Depois das filmagens, Sato me disse: ‘Percebia que você acompanhava atentamente a atuação enquanto filmava; isso facilitou muito meu trabalho como ator’. Como diretor de fotografia, ouvir isso teve um significado enorme. Acredito que o operador de câmera deve ser uma presença transparente, sem interferir na interpretação dos atores e registrando naturalmente o mundo diante da câmera.”

Site relacionado: https://www.blackmagicdesign.com

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