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Filmagem nas profundezas de Bedlam com a URSA Cine 17K 65

Longa-metragem independente Bedlam combinou captação digital em 65 mm com uma pipeline baseada na Blackmagic Cloud

Por Ricardo Batalha

“Bedlam” se passa em Londres na década de 1750 e acompanha o lutador de boxe sem luvas Jack Slack, interpretado por Scott Adkins, em sua tentativa de libertar a irmã do infame asilo que dá nome ao filme. O universo de Bedlam é marcado pela luz do fogo, pela fumaça e por ambientes confinados, o que impôs grandes desafios à cinematografia. A visão do diretor Jon Sheikh era que as sequências dramáticas tivessem o mesmo peso narrativo das cenas de luta, exigindo uma abordagem visual que sustentasse esse equilíbrio com consistência e riqueza de detalhes.

Para o diretor de fotografia James Butler, a Londres do século 18 representava um período ainda mais distante do que aquele retratado em suas experiências anteriores com produções de época. Butler se interessou pela ideia de filmar em 65 mm, acreditando que esse formato ofereceria a presença e a textura necessárias para a história.

Seu interesse de longa data por fotografia em médio formato fez com que a transição para a cinematografia em grande formato fosse uma oportunidade irresistível. No entanto, como as câmeras de 65 mm são notoriamente caras e pouco viáveis para orçamentos independentes, encontrar um sistema acessível seria o principal desafio a ser superado.

Sabendo que “Bedlam” seria filmado mais adiante no ano, Butler começou a avaliar se a câmera digital URSA Cine 17K 65 poderia ser a solução. “Sempre gostei do médio formato e da forma como ele reproduz rostos e profundidade”, disse. “Parecia a combinação perfeita para essa história.”

A produção optou por duas URSA Cine 17K 65 como câmeras A e B, além de uma PYXIS 12K para as sequências de ação.

Testar a URSA Cine 17K 65 deu a Butler a oportunidade de avaliar uma pipeline totalmente integrada em Blackmagic RAW, desde a captação no set até a montagem no DaVinci Resolve Studio. Durante a fotografia principal, proxies eram enviados para a Blackmagic Cloud sempre que havia conectividade.

A produção contou com um montador desde o primeiro dia. Trabalhando em Londres, ele e seu assistente recebiam os proxies conforme chegavam, sincronizando e fazendo cortes preliminares enquanto as filmagens ainda estavam em andamento. O produtor Kevin Harvey acompanhava o progresso de seu estúdio em Essex usando um sistema DaVinci Resolve calibrado. “Kevin se tornou um par de olhos extra”, disse Butler. “Ele conseguia revisar as cenas mais cedo no processo e oferecer feedback que ajudava a história.”

Esse ciclo diário de feedback permitiu à equipe revisar o progresso durante as filmagens e planejar captações adicionais enquanto cenários e elenco ainda estavam disponíveis. Para Butler, essa foi a principal vantagem de trabalhar totalmente dentro do DaVinci Resolve Studio e da Blackmagic Cloud: manter o fluxo criativo integrado e evitar surpresas meses depois na edição.

“O que eu gosto no sensor RGBW da Blackmagic é que ele é realmente escalável”, afirmou Butler. “Independentemente da resolução escolhida, você continua utilizando todo o sensor de 65 mm. Não há recorte, então você mantém o campo de visão nativo e aquele visual de profundidade de campo rasa em todos os quadros.”

Gravar o filme em 17K RAW era impraticável, então a produção avaliou captação em 12K e 8K, comparando as taxas de compressão com o calculador de dados da Blackmagic Design. “Para o que precisávamos, a diferença entre 3:1 e 5:1 era mínima”, observou Butler. Como “Bedlam” não era um filme com uso intensivo de VFX, a produção optou por 8K em 5:1, equilibrando qualidade de imagem e eficiência de armazenamento.

Isso também permitiu que a equipe de pós-produção em Londres começasse a editar enquanto as filmagens ainda estavam em andamento, acelerando o cronograma geral. “Se você consegue criar um workflow robusto para longas-metragens que reduz custos em várias etapas, como dailies, armazenamento e finalização, isso muda completamente o jogo para produções independentes como ‘Bedlam’.”

Lentes vintage
Butler pesquisou as fontes de luz disponíveis em 1750 e concluiu que as cenas dependeriam de combinações de luz solar, luz da lua e fogo. “Os níveis superiores tinham tons mais suaves, com azuis e brancos, e a iluminação se tornava mais crua à medida que descíamos”, explicou.

O nível mais baixo de “Bedlam” dependia quase exclusivamente de chamas reais, o que levou a câmera ao limite inferior de sua latitude. Trabalhando com ISO 1250 nessas sequências, Butler e Kozlowski frequentemente operavam no limite do que estavam dispostos a arriscar, mas ainda dentro de uma faixa que sabiam que se manteria na gradação de cores. “Em vez de subexpor e gerar ruído para tentar recuperar depois, optamos por dar um pouco mais de exposição no set e, em seguida, reduzir os pretos no DaVinci Resolve para obter sombras limpas e estruturadas”, comentou Butler.

A escolha das lentes também foi fundamental, com a equipe chegando ao consenso de que as lentes anamórficas Hawk65 seriam ideais para a proposta visual do filme.

A construção de um rig robusto ao redor da câmera exigiu personalizações adicionais. A URSA Cine 17K 65, combinada com lentes anamórficas de grande formato, formava um conjunto substancial que precisava operar em gruas, tripés e configurações de estúdio. A equipe de Butler colaborou com a Hawk e a Ratworks Engineering para desenvolver um sistema completo de gaiola compatível com as necessidades da produção.

O controle da profundidade de campo também desempenhou um papel importante. Butler evitou focos extremamente rasos para manter os personagens contextualizados em seus ambientes. As lentes eram geralmente utilizadas entre T4 e T5.6, estabilizando os planos de fundo e mantendo a continuidade entre as cenas. Ele relembra uma sequência-chave iluminada por uma única fonte difusa de luz da Lua, em que a combinação do sensor com as lentes anamórficas proporcionou exatamente a clareza e o peso emocional desejados. “Era um retrato simples”, disse. “A imagem nos deu exatamente o que precisávamos para transmitir a importância e a emoção da cena.”

No último dia de fotografia principal, todo o material já havia sido integrado a um projeto compartilhado no DaVinci Resolve. Kozlowski havia feito o backup completo, aplicado gradações de visualização e entregue os proxies, de modo que poucos dias após o término das filmagens, Sheikh e Butler puderam assistir a uma montagem completa do filme, algo que Butler afirma nunca ter conseguido tão rapidamente em um longa-metragem.

Site relacionado: https://www.blackmagicdesign.com

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