O filme Mandaadi, dirigido por Mathi Maran, adotou lentes Cooke Panchro/i FF e Cooke SP3 para construir uma estética contemporânea com características vintage. A direção de fotografia é de S. R. Kathir, que utilizou diferentes combinações de lentes e câmeras para manter a mesma identidade visual em cenas realizadas em terra e no mar.
Com uma história centrada em corridas de veleiros, Mandaadi exigiu uma abordagem que funcionasse tanto nas cenas terrestres quanto nas sequências realizadas sobre a água. A proposta de Maran era obter uma imagem contemporânea, mas sem a aparência excessivamente digital, levando a equipe a buscar uma estética vintage diretamente na captação, em vez de construí-la apenas durante a pós-produção.
Kathir realizou testes com seis ou sete conjuntos de lentes antes de escolher as Cooke Panchro para a fotografia principal. A intenção não era buscar uma imagem excessivamente nítida, mas preservar características como vinhetagem natural, pequenas variações de cor e uma transição mais suave nas bordas do quadro.
“Não queríamos um filme digital convencional, clínico e de baixo contraste, em que tudo parece excessivamente nítido. Queríamos imperfeições, imperfeições com personalidade”, comenta Kathir. As Panchro também ofereceram maior precisão no foco, além de uma reprodução com centro definido, queda gradual nas bordas, bokeh característico e vinhetagem natural.
Outro recurso utilizado pelo diretor de fotografia foi a aplicação de lentes teleobjetivas para criar enquadramentos amplos. Em vez de aproximar a câmera dos atores com uma grande angular, Kathir posicionava a câmera mais distante e utilizava principalmente lentes de 135 mm e 100 mm, além de uma 75 mm em algumas situações. A compressão proporcionada pelas distâncias focais maiores permitiu manter vários personagens visualmente conectados sem criar relações espaciais exageradas.
Nas sequências de corrida no mar, a produção enfrentou um desafio adicional. Durante uma das primeiras filmagens, uma câmera RED montada em um gimbal caiu na água e foi perdida, o que dificultou o uso de outros equipamentos no ambiente. Como boa parte da ação acontecia dentro dos veleiros, Kathir precisava de um sistema compacto e móvel.
A solução encontrada foi combinar a câmera DJI Ronin 4D com as lentes Cooke SP3. Após os testes, Kathir constatou que a reprodução óptica das SP3 se aproximava da Cooke Panchro 50 mm utilizada nos primeiros planos, permitindo levar a mesma característica visual para as cenas realizadas no mar.
“A SP3 reproduziu exatamente as características ópticas da Cooke Panchro 50 mm. As características que obtivemos com a Panchro 50 mm foram reproduzidas perfeitamente pela SP3”, explica Kathir.
As SP3 passaram a ser utilizadas principalmente dentro dos veleiros durante as corridas e também em tomadas externas. A lente de 100 mm permitiu manter a estratégia de uso de distâncias focais longas adotada nas cenas em terra. Em determinadas situações, a câmera era posicionada a aproximadamente 60 a 90 metros dos barcos, comprimindo a imagem para criar uma composição em que várias embarcações aparecessem agrupadas, sem perder a escala do mar.
A fotografia de Mandaadi também adotou uma abordagem baseada na luz natural. Como as corridas seriam filmadas diretamente sobre a água, a equipe não poderia utilizar iluminação de preenchimento convencional. Kathir e Maran optaram por trabalhar com a luz disponível, preservando as altas luzes e mantendo sombras e meios-tons mais controlados. A mesma proposta foi levada para as cenas em terra, com redução do preenchimento, uso de negative fill e maior contraste nos primeiros planos.
A produção utilizou câmeras RED V-Raptor, Ronin 4D, Phantom e ARRI Alexa Mini LF, combinadas com as lentes Cooke Panchro/i FF e Cooke SP3.
Para Kathir, a escolha dos equipamentos esteve diretamente ligada às necessidades narrativas do filme. As lentes foram utilizadas para preservar personalidade na imagem desde a captação e permitir que a mesma linguagem visual acompanhasse a produção em diferentes ambientes.
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